Como a estratégia de investimento do contrafluxo pode ser aplicada no contexto do segundo turno das eleições de 2026 para Presidência da República?

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Contrafluxo

O mercado costuma alocar o capital investido baseando-se em expectativas para o futuro, isso significa dizer que possíveis eventos já se encontram precificados pelo mercado.

Com o resultado do primeiro turno das eleições para presidência sinalizando a possibilidade de eleição do candidato Flávio Bolsonaro (PL-RJ), o Ibovespa reagiu com uma alta de 7,70% já na segunda-feira pós-primeiro turno.

Com a expectativa de um próximo presidente mais alinhado aos caprichos do mercado, que salivam por ajustes nas contas públicas (política de austeridade), a percepção de risco dos títulos de dívida pública caiu, levando os investidores a aceitar um prêmio de risco menor ao emprestar dinheiro para o governo. O que também se traduz em uma expectativa de crédito mais barato para as empresas, que colhem redução na taxa de crescimento das dívidas. Menos dívidas para pagar resultam em lucros maiores.

Na maioria das vezes, alta no Ibovespa anda junto com a queda do dólar. O real se valoriza com a demanda por troca (venda) do dólar por real para investir no Brasil.

A alta da bolsa aumentando a atratividade dos ativos, convida todos a investirem aqui no Brasil, ninguém quer ficar fora da festa. Com os holofotes apontados com toda a força para uma área específica, torna-se difícil enxergar a existência de oportunidades com maior potencial de retorno nos arredores da zona de foco principal.

A estratégia do contrafluxo se aproveita dessas oportunidades nos momentos de euforia e entusiasmo. Utilizando como exemplo o cenário atual, o dólar é um ativo de proteção e diversificação de boa qualidade que nesse momento está mais barato e mais acessível para investidores brasileiros.

Mas não queremos ficar sempre evitando o que está se valorizando em cada momento. O ideal é sempre buscar comprar ativos de qualidade no momento em que eles estiverem baratos e desvalorizados. A palavra qualidade é muito importante. Uma vez que o investidor monta a sua carteira com uma lista dos ativos com ótimos fundamentos (qualidade) divididos em categorias, e também definindo metas de percentual de alocação para cada categoria, ele pode simplesmente seguir rebalanceando a carteira através de novos aportes.

Aplicando contrafluxo no cenário atual antes do segundo turno

O investidor, que não pode ser confundido com especulador, já tem a sua carteira curada com ativos de qualidade, sejam ações do mercado brasileiro ou ETFs internacionais visando diversificação. Vamos deixar a classe de ativos de renda fixa de fora para simplificar o exemplo.

Considerando o cenário onde definimos como meta investir 50% no Brasil e a outra metade em ETFs internacionais (dólar), antes do resultado do primeiro turno, a carteira se encontrava perfeitamente balanceada, com R$ 100 mil em ações brasileiras e mais R$ 100 mil equivalentes em dólares investidos internacionalmente, também considerando uma descorrelação perfeita entre dólar e real. Após o resultado do primeiro turno e com a valorização repentina da bolsa brasileira junto com a desvalorização do dólar, a carteira passa a ficar desbalanceada. Agora temos R$ 107 mil (7% de valorização) em ações brasileiras e R$ 93 mil em dólares (7% de desvalorização). Como resultado, temos 53,5% no Brasil e 46,5% no mercado internacional totalizando 100% do patrimônio investido.

Aplicando o contrafluxo, os novos aportes devem ser direcionados ao mercado internacional até que voltemos a ter 50% (R$ 107 mil) no Brasil e 50% (valor em dólar equivalente aos R$ 107 mil) lá fora. Dessa forma você reduz o custo médio de aquisição do dólar. Numa futura valorização, o crescimento do valor investido é potencializado pelo preço descontado no momento da compra. Quando a carteira se desbalancear novamente no sentido contrário, basta direcionar os novos aportes para os ativos de qualidade no Brasil. E assim no longo prazo, ciclo após ciclo de rebalanceamento, o patrimônio investido cresce.

Vale mencionar que nem sempre o movimento entre o dólar e o real é inverso, pode acontecer de os dois se valorizarem ao mesmo tempo.

Conclusão

Não é produtivo investir reagindo a notícias e boatos sobre o futuro, o especulador compra quando tudo está caro e vende no pânico quando tudo perde valor. Aplique a estratégia do contrafluxo em ativos de qualidade e acabará sempre comprando ativos bem fundamentados com o melhor desconto independente do resultado das eleições no domingo.

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