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Na minha busca por expandir o meu repertório de experiências, aproveitei a oportunidade de assistir uma apresentação de um concerto de música experimental num estúdio de gravação.
De primeira, o que mais me impressionou ao entrar no estúdio foi o silêncio absoluto proporcionado pelo isolamento acústico do ambiente, um espaço completamente isolado do barulho e do ruído externo.
Experimentar o estúdio inundado por tal intenso silêncio me abriu a mente para experimentar a música a partir de uma nova perspetiva.
A perspectiva antiga consistia em experimentar a música com o foco nas ondas sonoras produzidas pelos instrumentos. A matéria-prima são as ondas sonoras, a música é o que ocupa o espaço antes dominado pelo silêncio ou por qualquer outro barulho do qual ela chega para tomar o lugar.
A nova perspectiva coloca o silêncio como matéria-prima, as ondas sonoras cortam o silêncio e o faz assumir diversas formas. O objetivo da música não é ocupar completamente o espaço do silêncio, deve existir um equilíbrio entre os dois, um equilíbrio flexível com a possibilidade de oscilar entre a dominância de um ou outro.
O músico assume o papel de escultor, o silêncio é o bloco de mármore bruto pronto para ser desbastado, as ondas sonoras são o seu martelo e a sua talhadeira.
Se o escultor desbasta toda a pedra, não resta o que ser observado, não temos uma escultura observável.
Usando outra analogia, um chefe enquanto prepara um prato, usa a quantidade precisa de condimentos de modo que não ofusque completamente o componente principal do prato. No paladar o tempero realça o sabor, mas não deve se tornar o foco e a única coisa a ser sentida.
A beleza do trabalho artístico produzido reside em como o músico guia a experiência de percepção do silêncio.
Published: 2026-02-19
Tagged: Reflexão