A blog about Software Engineering and other stuff not related to programming
Isenção de responsabilidade: Não possuo nenhuma credencial de analista de investimento. O conteúdo dessa página não se trata de sugestão de estratégia de investimento. Não me responsabilizo pelas consequências de colocar o conteúdo a seguir em prática.
O mercado costuma alocar o capital investido baseando-se em expectativas para o futuro, isso significa dizer que possíveis eventos já se encontram precificados pelo mercado.
Com o resultado do primeiro turno das eleições para presidência sinalizando a possibilidade de eleição do candidato Flávio Bolsonaro (PL-RJ), o Ibovespa reagiu com uma alta de 7,70% já na segunda-feira pós-primeiro turno.
Com a expectativa de um próximo presidente mais alinhado aos caprichos do mercado, que salivam por ajustes nas contas públicas (política de austeridade), a percepção de risco dos títulos de dívida pública caiu, levando os investidores a aceitar um prêmio de risco menor ao emprestar dinheiro para o governo. O que também se traduz em uma expectativa de crédito mais barato para as empresas, que colhem redução na taxa de crescimento das dívidas. Menos dívidas para pagar resultam em lucros maiores.
Na maioria das vezes, alta no Ibovespa anda junto com a queda do dólar. O real se valoriza com a demanda por troca (venda) do dólar por real para investir no Brasil.
A alta da bolsa aumentando a atratividade dos ativos, convida todos a investirem aqui no Brasil, ninguém quer ficar fora da festa. Com os holofotes apontados com toda a força para uma área específica, torna-se difícil enxergar a existência de oportunidades com maior potencial de retorno nos arredores da zona de foco principal.
A estratégia do contrafluxo se aproveita dessas oportunidades nos momentos de euforia e entusiasmo. Utilizando como exemplo o cenário atual, o dólar é um ativo de proteção e diversificação de boa qualidade que nesse momento está mais barato e mais acessível para investidores brasileiros.
Mas não queremos ficar sempre evitando o que está se valorizando em cada momento. O ideal é sempre buscar comprar ativos de qualidade no momento em que eles estiverem baratos e desvalorizados. A palavra qualidade é muito importante. Uma vez que o investidor monta a sua carteira com uma lista dos ativos com ótimos fundamentos (qualidade) divididos em categorias, e também definindo metas de percentual de alocação para cada categoria, ele pode simplesmente seguir rebalanceando a carteira através de novos aportes.
O investidor, que não pode ser confundido com especulador, já tem a sua carteira curada com ativos de qualidade, sejam ações do mercado brasileiro ou ETFs internacionais visando diversificação. Vamos deixar a classe de ativos de renda fixa de fora para simplificar o exemplo.
Considerando o cenário onde definimos como meta investir 50% no Brasil e a outra metade em ETFs internacionais (dólar), antes do resultado do primeiro turno, a carteira se encontrava perfeitamente balanceada, com R$ 100 mil em ações brasileiras e mais R$ 100 mil equivalentes em dólares investidos internacionalmente, também considerando uma descorrelação perfeita entre dólar e real. Após o resultado do primeiro turno e com a valorização repentina da bolsa brasileira junto com a desvalorização do dólar, a carteira passa a ficar desbalanceada. Agora temos R$ 107 mil (7% de valorização) em ações brasileiras e R$ 93 mil em dólares (7% de desvalorização). Como resultado, temos 53,5% no Brasil e 46,5% no mercado internacional totalizando 100% do patrimônio investido.
Aplicando o contrafluxo, os novos aportes devem ser direcionados ao mercado internacional até que voltemos a ter 50% (R$ 107 mil) no Brasil e 50% (valor em dólar equivalente aos R$ 107 mil) lá fora. Dessa forma você reduz o custo médio de aquisição do dólar. Numa futura valorização, o crescimento do valor investido é potencializado pelo preço descontado no momento da compra. Quando a carteira se desbalancear novamente no sentido contrário, basta direcionar os novos aportes para os ativos de qualidade no Brasil. E assim no longo prazo, ciclo após ciclo de rebalanceamento, o patrimônio investido cresce.
Vale mencionar que nem sempre o movimento entre o dólar e o real é inverso, pode acontecer de os dois se valorizarem ao mesmo tempo.
Não é produtivo investir reagindo a notícias e boatos sobre o futuro, o especulador compra quando tudo está caro e vende no pânico quando tudo perde valor. Aplique a estratégia do contrafluxo em ativos de qualidade e acabará sempre comprando ativos bem fundamentados com o melhor desconto independente do resultado das eleições no domingo.
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O principal motivo de ter escolhido a profissão dentro da área de desenvolvimento de software foi a baixa barreira de entrada: eram necessários apenas um computador, acesso à internet e muito tempo livre para estudar e colocar em prática desenvolvendo projetos pessoais até chamar a atenção das pessoas recrutadoras, eventualmente conseguindo uma vaga de emprego na área.
Comparando com outras profissões com uma maior barreira de entrada como a biomedicina, por exemplo, é necessário acesso a um laboratório e a equipamentos de preços proibitivos. Observei na tecnologia um grande potencial que exigia algo que não é barato, mas eu tinha de sobra: tempo para me dedicar a estudar e validar o que aprendia, na prática.
Até pouco tempo atrás, apenas o esforço e experiência de uma ou mais pessoas eram necessários para produzir um produto de software com qualidade semelhante ou até melhor que os produtos gerados por grandes empresas, sem a barreira de entrada financeira de um investimento inicial. Enxerguei a profissão perfeita para me proporcionar possibilidade de começar do zero quantas vezes fosse necessário, afinal só precisava de tempo livre e força de vontade para ser capaz de gerar valor recomeçando o ciclo de chamar a atenção de recrutadores quantas vezes fosse preciso.
Mas o cenário mudou, recentemente com o novo padrão que está se estabelecendo na área de desenvolvimento de software no qual o uso de LLMs (Large Language Models) capazes de escrever código de qualidade a partir de instruções não mais em uma linguagem específica para programação, mas sim na mesma linguagem que usamos para comunicação entre humanos. A barreira de entrada é imposta quando entendemos que as LLMs estão cada vez mais superando a capacidade humana de escrever código de qualidade. Isso eleva o padrão do mercado, e agora o esforço necessário para produzir um código com mesmo nível de qualidade e com a mesma velocidade que as empresas grandes conseguem, não é mais possível apenas com a sua força de vontade, tempo livre e um computador com acesso à internet. Agora é necessário acesso a uma boa LLM. Apesar de hoje já conseguirmos rodar LLMs de forma local, nada se compara à performance obtida pelos modelos fechados e comercializados, além da infraestrutura necessária para rodar uma LLM localmente.
Não me oponho ao uso de LLMs no desenvolvimento de software, já as utilizo no meu dia a dia de forma produtiva. Não me importo em reduzir o contato direto com o código, foi a porta de entrada no início da minha carreira, hoje isso assume um papel secundário e o foco se torna o pensamento estratégico aplicado à definição da arquitetura dos sistemas mantendo a qualidade e a capacidade de extensão para atender a novos casos de uso.
Mas proponho a reflexão para um plano B no caso em que as ferramentas para geração de código passem a ter um acesso mais restritivo favorecendo apenas quem possui maior poder aquisitivo, provocando uma financeirização da produtividade.
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Na minha busca por expandir o meu repertório de experiências, aproveitei a oportunidade de assistir uma apresentação de um concerto de música experimental num estúdio de gravação.
De primeira, o que mais me impressionou ao entrar no estúdio foi o silêncio absoluto proporcionado pelo isolamento acústico do ambiente, um espaço completamente isolado do barulho e do ruído externo.
Experimentar o estúdio inundado por tal intenso silêncio me abriu a mente para experimentar a música a partir de uma nova perspetiva.
A perspectiva antiga consistia em experimentar a música com o foco nas ondas sonoras produzidas pelos instrumentos. A matéria-prima são as ondas sonoras, a música é o que ocupa o espaço antes dominado pelo silêncio ou por qualquer outro barulho do qual ela chega para tomar o lugar.
A nova perspectiva coloca o silêncio como matéria-prima, as ondas sonoras cortam o silêncio e o faz assumir diversas formas. O objetivo da música não é ocupar completamente o espaço do silêncio, deve existir um equilíbrio entre os dois, um equilíbrio flexível com a possibilidade de oscilar entre a dominância de um ou outro.
O músico assume o papel de escultor, o silêncio é o bloco de mármore bruto pronto para ser desbastado, as ondas sonoras são o seu martelo e a sua talhadeira.
Se o escultor desbasta toda a pedra, não resta o que ser observado, não temos uma escultura observável.
Usando outra analogia, um chefe enquanto prepara um prato, usa a quantidade precisa de condimentos de modo que não ofusque completamente o componente principal do prato. No paladar o tempero realça o sabor, mas não deve se tornar o foco e a única coisa a ser sentida.
A beleza do trabalho artístico produzido reside em como o músico guia a experiência de percepção do silêncio.
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